Ameaça de guerra comercial ao México é criticada dentro dos EUA

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Ameaça de guerra comercial ao México é criticada dentro dos EUA

Mensagem  forum vitimas Bancoop em Sab Jan 28 2017, 12:59

[size=50]Ameaça de guerra comercial ao México [/size]
[size=50]é criticada dentro dos EUA[/size]


Briga com país vizinho pode acarretar em confronto

 prejudicial para as próprias finanças


[size=14]POR O GLOBO
28/01/2017 4:30

Mexicanos passam por rota de pedestres em San Ysidro, Califórnia - DAVID MCNEW / AFP[/size]


WASHINGTON - O anúncio de Donald Trump de que cogita aplicar um imposto de 20% sobre todas as importações do México direcionadas ao mercado americano — para viabilizar a construção de um muro na fronteira com a nação vizinha — iniciou uma guerra entre os dois países e causou reações até no próprio Partido Republicano. 


Depois de o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, cancelar a visita que faria na semana que vem aos EUA, intelectuais, empresários e até o ex-mandatário Vicente Fox saíram em defesa do chefe de Estado.


 A ameaça de Trump foi recebida com desconfiança até por correligionários republicanos. Em uma série de declarações no Twitter, o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, afirmou que qualquer proposta que aumente os preços da cerveja Corona, da tequila ou das margaritas é “uma péssima ideia”. 


Já o senador republicano John Cornyn, do Texas, mostrou-se preocupado com os efeitos que a medida possa acarretar, inclusive sobre o preço da gasolina nos EUA.

Um dia antes, a troca de farpas entre os dois presidentes já indicava o estremecimento das relações. Na sexta-feira, os dois recuaram e, após uma conversa por telefone que durou cerca de uma hora, concordaram em não falar publicamente sobre a questão do pagamento da obra.

“Em relação ao pagamento do muro de fronteira, ambos os presidentes reconheceram suas divergências claras e públicas de opinião sobre esse assunto sensível e concordaram em resolver suas diferenças como parte de uma discussão abrangente sobre todos os aspectos da relação bilateral”, informou um comunicado do governo mexicano.
— Foi uma conversa produtiva, muito boa — esquivou-se Trump, explicando por que manteve a promessa do muro. 


— Tenho um grande respeito pelo México. Mas, como vocês sabem, o México prejudicou os EUA em negociações e derrotou nossos antigos líderes. Nos fizeram parecer tolos. Não podemos continuar perdendo empregos.


No México, intelectuais, como o historiador Enrique Krauze, descreveram a crise como a mais delicada entre os dois países desde o fim da guerra há 170 anos — quando metade do território mexicano foi anexado aos EUA.


Ainda mais enfático, o ex-presidente Vicente Fox afirmou não acreditar que Trump queira realmente iniciar um conflito comercial, já que os “EUA têm muito a perder”. O país é o terceiro parceiro comercial dos EUA, depois do Canadá e da China.


— Ele tem muito a perder, começando por dez milhões de empregos — desafiou Fox, lembrando que seu país importa anualmente produtos dos EUA num valor de US$ 250 bilhões. 


— Há toda uma cadeira produtiva que depende disso. 


Acho que agora o senhor Trump se deu conta de que não pode jogar com o México.


O país e os EUA também são aliados estratégicos na guerra ao narcotráfico. 


O Congresso americano destinou US$ 2,5 bilhões à Iniciativa Mérida — programa que ofereceu ao México funcionários e treinamento para combater o crime organizado.


Na sexta-feira, o empresário Carlos Slim, homem mais rico do México e o quarto do mundo, segundo a “Forbes”, disse que o país está pronto para negociar e lembrou que agora todos os partidos políticos apoiam o presidente Peña Nieto. Mesmo assim, defendeu a postura do presidente americano.


— Trump não é um exterminador, é um negociador.


 O maior muro que nós podemos ter são investimentos e criação de empregos no México — afirmou o magnata.


Na quinta-feira, o ministro mexicano das Relações Exteriores, Luis Videgaray, afirmou que seu país está disposto 
a dialogar para ter boas relações com os EUA, mas destacou que pagar pelo muro na fronteira comum “é inegociável”.


Prefeito de berlim lembra ‘sofrimento’


O chanceler estava na Casa Branca para preparar a visita de Peña Nieto a Washington quando recebeu a informação sobre um tuíte de Trump, sugerindo que o presidente mexicano não deveria ir aos EUA caso não se dispusesse a pagar pelo muro. 


Pouco depois, Peña Nieto cancelou oficialmente a visita. 


O chanceler destacou que a imposição de taxas deixaria os produtos mexicanos mais caros nos EUA.


Trump também já ordenou que todos os departamentos e agências federais dos EUA identifiquem ajuda direta ou indireta ao país vizinho.


A crise diplomática fez com que outros líderes se pronunciassem. 


O governo da Espanha pediu um “diálogo respeitoso” entre os países para diminuir a crescente tensão bilateral. Já o prefeito de Berlim solicitou que Trump renuncie à construção, lembrando o “sofrimento” causado na Alemanha e na Europa pelo Muro de Berlim.


http://oglobo.globo.com/mundo/ameaca-de-guerra-comercial-ao-mexico-criticada-dentro-dos-eua-20837741


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