Com mais fraturas que medalhas, Bob Burnquist diz: "MegaRampa dá medo"

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Com mais fraturas que medalhas, Bob Burnquist diz: "MegaRampa dá medo"

Mensagem  forum vitimas Bancoop em Sex Out 16 2015, 12:28

Com mais fraturas que medalhas, Bob Burnquist diz: "MegaRampa dá medo"






Ícone do esporte se reinventa aos 39 anos com criatividade infinita,

 se inspira no amigo Kelly Slater e garante estar bem melhor do que 

aos 20 anos: "Eu vivo na tempestade"


[size=11]Por [size=11]Marcio Moreira e Iris CorreiaRio de Janeiro[/size]


[/size]
[size=16]Era véspera de uma grande confraternização. Os preparativos para o aniversário de 39 anos de Bob Burnquist estavam em ritmo acelerado no quintal de sua casa na Ilha da Gigóia, Rio de Janeiro, mas ele ainda não tinha chegado. A recepção foi feita pelo amigo paulista Jean que dava uma força no planejamento da festa e pelo cão Luke. Em lugar de destaque no jardim, o parque de diversões quando está no Brasil: uma mini skate park. É lá que Bob treina diariamente por duas horas para manter o skate no pé.
Acelerado, nosso entrevistado chegou de barco, após rápida viagem até São Paulo para lançar mais um produto com sua marca - ao todo são mais de 50, entre eles, skate, câmeras de ação, caderno, mochila, tênis, roupa e até artigo de festa infantil. Sorriso no rosto, mochila nas costas e skate na mão. Falou sobre a carreira, inspiração, aposentadoria, surfe e do medo que sente de encarar a MegaRampa, desafio que será exibido domingo, no [size=16]Esporte Espetacular. E ele mesmo admite que, após 10 anos andando na pista, ainda sente um frio na barriga.

- Lá você tem que estar com medo. Todas as partes da pista dão medo, uma dá mais medo que a outra. E quando tudo começa a ficar automático, vira perigoso - conta, lembrando de alguns tombos na carreira, muitos deles acompanhados de fraturas.






- Contabilizando pontos e fraturas eu acho que é melhor te falar o que eu não quebrei, porque se eu te falar o que eu quebrei, a gente vai ficar aqui um tempão. Eu tenho 33 fraturas. Tenho mais fraturas que medalhas - 30 medalhas e 33 fraturas. Mas me considero um skatista de sorte. Porque se fraturar é muito melhor do que você lesionar ligamento. Fraturar é sempre melhor que lesionar ligamento, galera. Machucou, quebrou - sorri.
Desenhos de Bob Burnquist (Foto: Instagram)
Um dos maiores ícones do skate mundial, Robert Dean Silva Burnquist é pai de duas filhas, marido, filho e tio. Viciado em adrenalina, hiperativo e perfeccionista.
Pilota helicóptero, surfa e ainda tem tempo para pensar em projetos mirabolantes, como o de pular de uma rampa com o skate e depois se atirar no precipício do Grand Canyon com um paraquedas, façanha realizada em 2006.

- O céu não é o limite. O que puder me incentivar a aprender me faz sentir vivo. Tem espaço para evoluir pois tenho muitos projetos na cabeça e muitos desenhos. Tenho um livro que fico só desenhando, porque desenhar ali não custa nada (risos)  - admite.


Integrante do Hall da Fama do skate desde 2010, eleito sete vezes o melhor skatista do ano, oito vezes campeão mundial (duas no vert e seis na MegaRampa), Bob Burnquist conquistou os mais diversos campeonatos, como X-Games com 30 medalhas (15 de ouro), sendo o maior medalhista da história. Foi também o primeiro brasileiro a ganhar o Laureus, reconhecido como o Oscar do esporte, entre outros prêmios. Um atleta com estilo inovador, criador de manobras que o conceituam como um dos mais revolucionários skatistas do planeta.

Impressionado com o poder que a MegaRampa tem sobre os jovens skatistas, Bob admite que o convívio com a molecada no quintal de sua casa em Vista, Califórnia, o fez evoluir ainda mais.

- A MegaRampa é um skate que chama atenção, a adrenalina é maior, mas não existe sem o vertical. Tudo é mega, mais rápido, mais alto e mais desafiador. Foi bom quando essa galera mais jovem chegou, me deu uma energia nova. A criança quando anda de skate tem uma outra energia. Ela está brincando o tempo inteiro, não está toda concentrada. Isso que é legal.

Para ele, a própria MegaRampa precisa se reinventar com o passar dos anos.

-  A competição de 20015 vai ser completamente diferente de dez anos atrás. Isso é uma coisa natural

Bob falou um pouco sobre a dinâmica da Dreamland, seu parque de diversões na Califórnia. A pista hoje em dia serve como local de treinamento, sempre com o objetivo de melhorar as habilidades dos skatistas. 

- Ela era muito mais privada. Na evolução dela e, obviamente para a evolução da própria categoria, se eu fechar as portas e a mantiver fechada, não vai ser legal para mim. Eu vou competir e só eu tenho, aí não tem graça. Acho que a gente tem que abrir as portas para o treino e para a galera melhorar as suas habilidades, chegar em uma competição, estar todo mundo em um nível legal e você ver ali a diferença que faz quando estão andando sempre.

O quintal da casa de Bob Burnquist na Ilha da Gigoia (Foto: Marcio Moreira/GLOBOESPORTE.COM)


MANOBRAS NOVAS

É uma questão de criação, criatividade, pensar, ir lá e tentar ver se ela funciona. Isso aí vem de muitos anos, de eu fazer minhas vídeo parties desde o vertical até a MegaRampa, a ideia é a mesma, é pensar em algo que eu nunca vi. Porque se eu vi, já não é nova.

Caroço na canela de Bob Burnquist após levar
um tombo em treinamento (Foto: Instagram)

MEDO

A MegaRampa você tem que estar com medo. Se não estou com medo, tem alguma coisa errada. Se eu não prestar atenção, posso tomar um tombo daqueles que tomei lá atrás. Se eu não preparar meu skate, descer sem olhar como estou, vai dar problema. E acho que eu junto muito esse lado de ser piloto, de checar, de paraquedismo. Tenho que checar as coisas que podem fazer eu me machucar muito.

Desde a rampa até meu skate, o lado mental, minha cabeça, enfim, e assim vai. Todas as partes da pista dão medo, uma dá mais medo que a outra. O quarter em alta velocidade eu acho que todos os skatistas que você entrevistar vão falar e concordar: é a parte que dá mais medo da MegaRampa. Porque ali é a parte que pode dar errado e para onde você vai, é a adrenalina que você toma, mas também quando você acerta a manobra é a parte mais gratificante. Então, quanto maior o risco, maior a satisfação e aquele sentimento de vida. Se ficar esperando o momento que você não tem medo, você não vai porque não existe esse momento.

SKATE X SURFE

Na verdade, o skate e o surfe estão eternamente ligados porque os surfistas, na época que o skate saiu, pô, não tinha onda, vamos andar ali no asfalto, ai montaram uma prancha com rodinhas e, de repente, estavam surfando na rua. O skate era um surfe no concreto. Então, dali, no decorrer da evolução do skate, muitos skatistas que tinham nome naquela época - Jay Adams, Tony Alva, essa galera - eram muito bons surfistas que andavam de skate. Eram surfistas skatistas. Hoje em dia, eu vejo que agora, ao contrário do skate pegando do surfe no começo, hoje em dia já começou a ter um fluxo para o outro lado, que é do skate para o surfe, com as manobras aéreas, com as manobras técnicas. Então, você vê que a base de um skatista surfista é diferente de um surfista surfista. E eu acho que é uma questão de evolução.

INSPIRAÇÃO EM KELLY SLATER

Eu sou muito fã do Kelly, ele é uma pessoa nota 10. Eu vejo inspiração em outras pessoas, e o Kelly é uma dessas pessoas que eu tenho como inspiração, porque já está no surfe e competiu inúmeras vezes e teve que se reinventar, porque se você não se reinventa, fica para trás. A realidade é essa: você tem que evoluir junto.

Bob Burnquist na sessão de surfe com amigo Rob Machado (Foto: Instagram)
A vontade é de evoluir para outro lado. Não que você vá parar, mas quando a coisa fica monótona você quer criar uma outra situação. Então, é disso que saem esses momentos de reinvenção. São esses momentos de tédio momentâneo de você estar ali e tal, aí você sai dali, tira as perspectivas do que está acontecendo ali naquela caixa e aí começa a enxergar diferente porque você já viveu aquilo muito tempo.

APOSENTADORIA

No caso do skate, eu posso parar de competir hoje. Mas vou continuar evoluindo, entregando conteúdo diferente, vou continuar montando obstáculos diferentes e, aí, na verdade, vai me dar mais tempo para pensar nessas coisas novas. Hoje estou acostumado a fazer tudo: competir, filmar, participar de filmes, fazer inúmeras coisas. Agora, vai ter um dia que eu posso chegar e falar: cara, quero ter meu tempo para evoluir, desde a situação do Grand Canyon que eu montei o paraquedas junto com o skate. Eu tenho muitas ideias assim, e não precisa ser paraquedas e skate, mas outras ideias, outras rampas, outras coisas, então, é conteúdo. E isso eu sei que eu tenho para o resto da vida, porque a criatividade é infinita.

PREPARAÇÃO

Todo atleta de elite tem que se preparar. Eu faço um programa de malhação que é interessante, não é monótono, eu vou estar sempre me desafiando, e o funcional me desafia. Então, tem, sim, que se preparar, e muito. E, fora o lado físico, acho que vem o lado mental, vem a coisa da calma, do estado mental, da calma na hora da tempestade. Porque eu vivo isso, vivo em tempestade. Então, eu tenho que entrar calmo e eu tenho lá uma coisa de respiração ... eu tenho que dar umas seis sete respiradas bem fundo e eu me mexo devagar, pode estar a loucura que for.

CRISE DOS 40?

Eu não paro muito para pensar. As pessoas falam “Pô, você vai se aposentar? Quanto tempo você acha que consegue andar? Cara, vou te dizer que me sinto melhor do que quando eu tinha meus vinte anos, porque hoje em dia eu me preparo para isso. Vou lá, faço meus exercícios, me fortaleço, faço meu alongamento e sou muito mais bem preparado que naquela época. Então, o que eu vejo é conforme eu me sinto bem, porque número pelo número, é um número... Quarenta anos? Legal, quarenta anos. Quarenta anos andando de skate profissional? Eu vou olhar outros skatistas e vou me espelhar. O Burk Larce, quando fez quarenta anos, ganhou quatro medalhas de ouro em um ano, ganhou todas as competições de Vert no ano que fez quarenta. Fora o que ele ganhou de bowl. Então, aquilo para mim foi impressionante. Então, você vê que não é número.

FÃ DE MMA

Eu tenho me empolgado mais com o MMA, assistido e visto como o cara tem que ser bom em tudo. Eu fico de olho. Fora a preparação. Eu sempre gostei de assistir e torcer pela Seleção. Desde moleque, sempre lembro dos domingos de Fórmula 1, com Ayrton Senna. Assisti e curti. Eu hoje em dia gosto muito de assistir às lutas profissionais. O surfe, quando eu posso, tô presente, mas gosto de ver os campeonatos de skate, a garotada.

SEGURANÇA

Quanto mais você anda, menos risco de se machucar você tem. Aí, vai aprendendo como cair, como sair e tal. Em competição é onde o risco de se machucar é maior. Porque é aonde você vai além do seu limite, às vezes vai tentar jogar mais que joga normalmente. Durante a competição nós temos uma ambulância perto, tem hospital já conectado. No dia a dia mesmo é só não andar sozinho, mas ando com a manga longa, com uma armadura. Esse material de segurança completo.







[/size][/size]

forum vitimas Bancoop
Admin

Mensagens : 6836
Data de inscrição : 25/08/2008

http://bancoop.forumotion.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum